Cidades Sensitivas I

De Inciti
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Textos introdutórios


Apresentação CEUs

A sequência das informações segue a lógica norte-sul, começando com o CEU de São Félix do Xingú, no Pará e finalizando em Erechim, no Rio Grande do Sul. Neste espaço o que segue são as descrições das ocupações, as análises e avaliações estão reservadas para a Parte 3 deste documento.

CEU São Félix do Xingú - PA


CEU Horizonte - CE


CEU Petrolina - PE


CEU Luis Eduardo Magalhães - BA


CEU Águas Lindas de Goias - GO


CEU Sete Lagoas - MG


CEU Colatina - ES


CEU Sertãozinho - SP


CEU Campo Largo - PR


CEU Erechim - RS

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Diálogos na mesa Dados Abertos, Tecnologias Livres e Ciência Aberta e Cidadã do FISL 2015

Sávio Lopes, da Casa de Cultura de Vila Velha: - Tivemos uma experiência em Colatina que foi interessante, pois saiu um pouco do controle. Começamos a trabalhar com doação de computadores que não funcionam. Tínhamos um pensamento de conduzir por um lado e aconteceu uma coisa muito interessante: os próprios ocupantes se sentiam livres para criar. Eu levava um carregador USB e eles conectavam, botando um carrinho para funcionar a partir daquilo. Eu mesmo não sabia como fazer aquilo. Eles pegavam tampinha de garrafa PET e faziam as rodas, arrumavam um elástico para criar um atrito ainda melhor.

Tel Amiel, coordenador da Cátedra UNESCO em Educação Aberta: - Apesar de falarmos muito em pesquisa-ação, quem leva a sério o que é produzido pelos atores dos próprios espaços? Existe um descompasso muito grande entre o conhecimento acadêmico e o conhecimento produzido no espaço local. Esta prática de conectar estes espaços de maneira mais intencional desde o início - que é um pouco o que acontece nos LabCEUs - é algo ainda muito novo. A gente ainda não faz isto muito bem isto na academia.

Criando Personagens com Softwares e Hardwares Livres

por Katherine Diniz

No último dia (02/07) de ocupação, a galera aprontou comigo, levei uma “rasteira criativa”. No anfiteatro do CEU, havia programado de mostrar ao pessoal as shapekeys da protagonista do Open Movie Sintel, para gente alterar umas expressões junto, além de animar um personagem articulado e fazer a modelagem de um rosto completo a partir de um cubo. Tudo ao vivo, acompanhando pelo telão, os participantes comandariam/sugeririam que ferramentas e operações fazer (eu as executaria no computador da cabine do teatro). Ou seja, eles decidiriam cada detalhe, enquanto eu só apertaria botões.

De repente, desligaram todas as luzes do lugar e, em alguns minutos, surgiu:

– Ah, Fessora, c tá entendendo nada, VOU AÍ FAZER!

– KKKKKKK

O Victor, o João, o Zenildo, o Miguel… todos ocuparam meu computador, e o espaço inteiro, como ninguém. A Alessandra foi sugerindo comandos, cortes, procedimentos… a Bruna pegou o microfone, ligou o amplificador, e foi “dublando” personagens animados. Perdi o controle completamente.

Ocupar não é só dar curso, oficina ou capacitação. É como cultivar uma horta. E, por incrível que pareça, é jogar lenha na fogueira também, questionando. É inspirar à experimentação, seja do que for. Assim, ocupei por alguns meses, mas o propósito disso é provocar os participantes a pisar em qualquer território com postura e respeito de ocupador também. E, no caso do CEU de Sertãozinho, a transformarem aquele espaço, continuamente, por vários anos. É propor desafios de percepção que os instiguem a enxergar cada vez mais potencialidades nesse “mangue de desenvolvimento”. E para cuidarem dele, para que esse ninho (o LabCEU) continue cheio de vida e de morte.

Caso contrário, para os desavisados, são só cabos e placas. É que os computadores não passam de uma desculpa, um pretexto de encontro. Minha ocupação não é sobre capacitar tecnicamente em computação gráfica (embora os participantes tenham experimentado inúmeros processos, sabendo atalhos e tudo… que muitos profissionais desconhecem), é sobre ter coragem. De se expor e de mobilizar pessoas para resolver um desafio coletivamente. De reconhecer o outro como um possível parceiro comunitário e de respeitar suas ideias. De discursar (com muita eloquência, inclusive) sobre erros, tentativas, indagações e piadas que surgem enquanto cada um se entrega a um desafio. Para mim, essas atitudes são fundamentais para qualquer articulação coletiva.

Assim, sinto que o programa LabCEUs está contribuindo para com demandas sociais que poucas iniciativas conseguem dar conta, ou mesmo, chegar perto, sensibilizar.

Sobre as atividades desenvolvidas em Colatina - 1ª fase do LabCEUs

Pela bolsista de gestão local Gislene Silva

Sobre a construção coletiva e a montagem de um hackerspace

Houve um encontro entre eu, Eliane e o professor Eduardo para relatar sobre as oficinas anteriores e também sobre o espaço em que as mesmas estão acontecendo, pois o programa tem algumas regras. Abordamos as nossas dificuldades, como a falta de espaço definitivo para ocupação. Foi sugerida a criação e utilização de um espaço dentro da Biblioteca do CEUs para realização das atividades, organização e armazenamento dos materiais doados. Foram feitas, dessa forma, as primeiras movimentações para organizar o espaço de trabalho da ocupação. Começamos (Gislene, Eliane, Marquinhos e o professor Eduardo) a movimentar algumas prateleiras de livros e definir quais espaços seriam utilizados pelo LCD. Já no encontro à noite, os primeiros participantes começaram a organizar este novo espaço de trabalho.

Como primeira medida, colocamos revistas e livros não catalogados da biblioteca em outra prateleira e liberaramos espaço para as caixas de eletrônicos. Começamos a reorganizar o espaço. Em seguida, colocamos caixas nas mesas e iniciamos o processo de triagem dos materiais, separando itens de acordo com a classificação inicialmente proposta pelo professor Sávio. Feita a triagem, organizamos as caixas nas prateleiras disponíveis para utilização.

A descoberta de potências e o estímulo ao protagonismo local

Outro aluno que vale destacar também foi o Brayan, que começou a desmontar alguns alto-falantes de fone de ouvido e, espontaneamente, começou a testar alguns deles. O professor aproximou-se dele e iniciou uma conversar para saber se ele gostava daquele tipo de tarefa. Ele acenou positivamente,comentando ter um kit de eletrônicos, com solda, ledas, fusíveis... Brayan sai e quando retorna traz consigo seu kit, que foi em casa pegar. Então, ele comenta sobre um projeto de miniatura de caminhão no qual ele vem trabalhando e o professor combinou com ele para trazer o projeto no encontro seguinte.

A segunda parte da atividade ficou direcionada a desmontagem dos alto-falantes. Aos poucos, com alguns outros jovens que iam se integrando à tarefa, foram orientados pelo Brayan. Mas o nosso local das oficinas ainda está em um espaço dentro da biblioteca, alguns alunos se distraem na realização das atividades.

Brayan prossegue na liderança da mobilização em torno dos testes com os alto-falantes, cabos, fios, plugs e os alto-falantes são utilizados para, junto com um smartphone, verificando se os alto-falantes estão funcionais. Já faltando meia hora para terminar as atividades, um grupo se mobiliza em desembolar um grande emaranhado de fones de ouvido, tendo sucesso na tarefa. Foi possível perceber alguns jovens que estão se interessando progressivamente pelas atividades e se mostrando dispostos a colaborar com a construção do laboratório.


Faça Parte do Movimento Maker

pelo bolsista de ocupação Odair Scatolini


Quanto ao nosso balanço e perspectivas, em resumo, foi assim:

Começamos com 15 participantes e terminamos com 5. Lamentavelmente dez pessoas desistiram ao longo do caminho, por motivos diversos: para ter mais tempo para estudar para o vestibular, porque arranjaram um emprego, por não ter afinidade com o tema, por problemas familiares e outros.

Ao longo do processo, queríamos emplacar um projeto de cunho social para ajudar a resolver algum problema do entorno. Uma questão importante em Águas Lindas de Goiás é a dengue. Pensamos em um monitoramento de focos de dengue utilizando arduino e processing para a contagem automatizada de ovos de Aedes em ovitrampas. Chegamos a instalar ovitrampas para testes, mas nenhum ovo foi detectado, o que inviabilizou a continuidade do projeto. Inviabilizou temporariamente, porque provavelmente não detectamos mosquitos agora por ser o começo da estação seca. O projeto pode ser retomado no futuro.

Quem fica, continua!

Apesar das baixas, terminamos o processo de um modo maravilhoso: os 5 makers que puderam ir até o fim fundaram hoje o que acredito ser o primeiro makerspace do Estado de Goiás, que batizaram de Lagartixa Hacker Clube!

A coordenação do CEU autorizou a turma a usar o laboratório multimídia nos fins de semana, período em que ficava fechado, e o lab agora tem internet. Para ajudar neste início, deixei um kit de arduino e o conjunto das peças que compunham o robô Betinha como doação para o clube. É um bom começo, e os lagartixas já marcaram um encontro no próximo sábado!

Em breve eles vão assumir o controle deste blog (culturadigital.br/maker), e já assumiram o controle do grupo do Whatsapp, inclusive já atualizaram a foto e o nome do grupo. Acho que estão bem encaminhados!

Rede//Labs no LabCEUs

Pesquisadora do projeto Rede//Labs, Luciana Fleischman participou da seleção dos projetos da segunda etapa e destacou alguns aspectos sobre o LabCEUs:

  • LabCEUs encarou o desafio de desenvolver modelos de apropriação criativa de infra-estruturas públicas disponíveis nas cidades. Traz também uma reformulação da antiga ideia de “telecentro” como espaço físico, que oferece acesso a equipamentos e conectividade, para a de “laboratório” como possibilidade de explorar a experimentação tecnológica e o território de maneira expandida.

 * O formato de ocupação proposto pelas chamadas inclui processos de formação, mas não se limita a eles. Neste caso, a experimentação e os processos de produção e criação colaborativa são privilegiados, e conectam a dimensão tecnológica com a comunitária em diálogo com as identidades locais, agregando as pessoas em torno de temáticas diversas. 
 * A importância dos mediadores, que tem como função principal o acompanhamento (de maneira presencial e remota) do desenvolvimento de cada ocupação, e de maneira dinâmica assume diferentes perfis conforme o a demanda dos projetos: agregação e articulação das ocupações, ativação pontual no território, orientação técnica e metodológica, apoio para a documentação, produção conceitual. Também existe a figura do mediador local, bolsista do CEU responsável pelo suporte logístico na cidade. 
 * Há uma busca pela sustentabilidade da produção do conhecimento, que se manifesta na ênfase da documentação e compartilhamento dos processos. A documentação é elaborada pelos proponentes dos projetos nos blogs de cada ocupação, pelos mediadores nos relatos das visitas presenciais e compartilhada com licenças abertas em diferentes blogs da plataforma Cultura Digital.Br, que são agregados na página do LabCEUs. 
 * O incentivo ao intercâmbio como estratégia de articulação em rede. Entre os diferentes projetos acontece por enquanto em forma remota por meio de teleconferências, grupos de e-mails e aplicativos de mensagens como Telegram. Já com a equipe de mediação os intercâmbios acontecem em forma telemática e presencial por meio de visitas pontuais. 
 * O InCiti em si mesmo funciona como um laboratório. Trata-se de um grupo de pesquisa composto por acadêmicos e profissionais de diversas áreas, que formam uma equipe jovem, talentosa, motivada e muito criativa. O ambiente de trabalho é bem descontraído, acolhedor e inspirador. A organização dos espaços facilita os encontros e intercâmbio de ideias entre a equipe e as pessoas que se aproximam ao local para participar de atividades ou simplesmente para saber mais. Aplica diversas metodologias ágeis de gestão de projetos como Scrum e Design Thinking e há um esforço evidente por experimentar e sistematizar o uso metodologias colaborativas e o trabalho em rede.
 * A progressiva adesão local do LabCEUs, que na segunda chamada teve uma maior quantidade de projetos vindos das próprias cidades dos CEUs ou de lugares próximos, o que mostra um interesse crescente de apropriação da comunidade, que participa não apenas como receptora das ocupações mas também como proponente ou em desenvolvimento conjunto.