Parque Capibaribe

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Sobre o Parque Capibaribe

O projeto do Parque Capibaribe representa um processo inovador de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) que promove uma nova relação das pessoas com o rio Capibaribe, criando condições para hábitos de vida saudáveis, através da valorização da natureza e da paisagem. Esta iniciativa é fruto de um convênio entre a Prefeitura da Cidade do Recife (PCR), através da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade e o INCITI - Pesquisa e Inovação para as Cidades, grupo da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). O projeto consiste em implantar um sistema de mobilidade não-motorizada com passeios e ciclovias além de revelar paisagens do Rio Capibaribe com áreas de estar, passarelas e píeres para pequenas embarcações. O Parque Capibaribe propõe também plantio de árvores e aumento do solo permeável visando preparar a cidade para enfrentar os efeitos de mudanças climáticas. O Parque, que se estenderá por 30 km, todo o percurso do Rio Capibaribe, irá articular espaços públicos existentes em uma área de influência de 42 bairros e promover transformações para que Recife se torne uma Cidade-Parque capaz de oferecer novas oportunidades e maior qualidade de vida a seus habitantes. O Parque Capibaribe é o ponto de partida para que o Recife se torne uma Cidade-Parque em 2037, quando a cidade comemora 500 anos. O conceito Cidade-Parque que considera espaços públicos de qualidade que promovam o encontro entre as pessoas, o meio ambiente, reafirmando culturas locais e gerando novas oportunidades de transformações sociais e econômicas.

Saiba mais: [1]

Equipe transdisciplinar

À procura de soluções inovadoras para a cidade, a equipe INCITI/UFPE reúne pesquisadores nas áreas de Arquitetura e Urbanismo, Planejamento Urbano, Sociologia, Psicologia, Tecnologia da Informação, Recursos Hídricos, Mobilidade e Transporte, Economia Urbana, Políticas Públicas, Comunicação, Melhoria Vegetal, Botânica, Biologia, Gestão Ambiental, Direito, Engenharias e Estatística e outras que se fizerem necessárias. A rede de pesquisadores conta também com a colaboração de laboratórios de pesquisas internacionais como o de Sustentabilidade Urbana da Oxford Brookes University, Desenho Urbano da University of Westminster, Sintaxe Espacial da University College of London, Sistemas de Paisagem da UPC da Espanha, Centro para Tecnologia e Sociedade – Technische Universität de Berlim e do Centro de Arquitetura de Amsterdam – Arcam, nos Países Baixos. Três professores do departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Pernambuco integram o corpo coordenador INCITI/UFPE: Circe Monteiro, professora Titular com pesquisa na área de urbanismo, sociologia e planejamento urbano; Luiz Vieira, professor de arquitetura e paisagismo e Roberto Montezuma, professor de projeto de arquitetura e da cidade.

Processo metodológico

Processo analítico

Estudos, pesquisas, análises e diagnósticos

  • 12 grupos de pesquisas
  • 120 pesquisadores
  • 08 pesquisas empíricas

Estudos & Pesquisas

  • Paisagem
  • Fauna & Flora
  • Margens
  • Economia
  • História
  • Águas
  • Morfologia
  • Jurídico

Perfil da equipe

Um equipe com alta diversidade, polivalente e com envolvimento múltiplo

  • 12 disciplinas
  • 05 estados brasileiros
  • 05 nacionalidades

Processo de convergência

  • Oficinas
  • Debates
  • Encontros
  • Praias
  • Participação popular
  • Consulta pública

Base conceitual

P&D + I (Pesquisa & Desenvolvimento + Incitar)

  • Urbanismo Emergente
  • Soluções simples
  • Negociação de propostas
  • Inovação urbanística
  • Prototipagem
  • Metabolismo

Dinâmica espacial

  • 51 km de ruas-parques
  • 12 passarelas
  • 45 km de cicloviário na Zona Parque
  • 42 bairros
  • 445 mil pessoas diretamente beneficiadas
  • 7.444 ha de área de influência

Diretrizes, planos e projetos

Visão, essência e estratégias

Portas

  • Porta do rio - Articulação do rio Capibaribe do sertão e do agreste do Recife: marca a entrada do Capibaribe no território do Recife. Nela encontra-se o Terminal Rodoviário – TIP, que traz pessoas do Brasil inteiro para o Recife, e um grande maciço verde que permite a região ter uma forte qualidade ambiental.
  • Porta da mata - Articulação do rio Capibaribe com a Mata atlântica: faz a conexão do rio com uma grande área pública de Mata Atlântica preservada na cidade (Reserva Ecológica de Dois Irmãos/Mata da Guabiraba). Nesta região haverá a confluência do Transporte Rápido por Ônibus - BRT com o transporte público hidroviário.
  • Porta do mangue - Articulação do rio Capibaribe com o mar: acentua a conexão do Rio Capibaribe com uma grande área de Manguezais inserida na Zona Sul da cidade do Recife. Esta porta proporciona uma ligação direta com o Aeroporto Internacional do Recife.
  • Porta do mar - Encontro das águas: destaca a foz do rio, sua chegada ao Oceano Atlântico, e é onde se localiza o Terminal Marítimo de Passageiros.

Além das portas, foi elaborado outro nível de zoneamento das áreas de influência do Capibaribe, em escala mais próxima à dos bairros. Esse zoneamento foi construído com base nos estudos sobre as formas de ocupação e utilização dos territórios no entorno do rio, e na análise das vocações desses territórios dentro da proposta do Parque. Estas áreas foram denominadas de “território de águas”.

Águas

O termo Águas faz alusão à própria bacia hidrográfica, tomada aqui como referência para reestruturação do território urbano. Todas as “Águas” envolvem as duas margens do rio, e seus limites se sobrepõem. Foram definidas as seguintes “‘Águas” para a proposta do Parque:

  • Águas do Saber: Incluem a região que vai da Várzea, desde as terras da família Brennand até a Avenida Caxangá, envolvendo o campus da UFPE. A ênfase desta área será no campo das artes, do conhecimento e preservação ambiental.
  • Águas da Natureza: Incluem a região desde a Avenida Caxangá (a oeste) até o Poço da Panela e Cordeiro, englobando a Ilha do Bananal. As diretrizes dessa área estão voltadas à preservação e educação ambiental, incluindo uma base para gestão de todo o Parque Capibaribe.
  • Águas do Futuro: Zona que vai desde o Poço da Panela/Cordeiro até o entorno dos bairros de Parnamirim/Torre, passando pelo bairro do Cordeiro. Nesta área a ênfase deve ser ações de inclusão social e resgate da cidadania baseados em atividades de cultura, esportes e lazer.
  • Águas do meio do mundo: Envolvem a área que vai desde a ponte entre a Torre e Parnamirim até a ponte da Rua Amélia nas Graças. A ênfase aqui será o lazer urbano.
  • Águas da cultura: Desde a ponte da Rua Amélia (bairro das Graças) até a ponte na Rua do Paissandu. Área marcada por equipamentos educacionais, culturais e históricos. A ideia é reforçar a conexão entre eles e fortalecer a vitalidade desta área.
  • Águas do mangue: Desde a ponte na Rua do Paissandu, na Ilha do Leite, até a Ilha Joana Bezerra/Coque, envolvendo a Ilha do Zeca, que na verdade é uma península resultante da retificação do braço de ligação doCapibaribe com a Bacia do Pina (estuário dos Rios Tejipió e Jordão). A diretriz dessa região é criar equipamentos de gestão e educação ambiental, voltados para a biota do mangue.
  • Águas centrais: Englobam os bairros da Ilha do Leite/ Coelhos, margem esquerda (com o polo médico - referência no Nordeste - e um conjunto de empresariais destinados a atividades jurídicas e médicas); Ilha Joana Bezerra (com o Forúm Joana Bezerra), Santo Antônio, Cabangá e São José (área de renovação urbana). Para esta região será proposta à integração entre as duas margens, diminuindo distâncias e possibilitando um percurso mais acessível para o pedestre e ciclista. Também será reforçada a importância da relação das ilhas com as frentes d ́água (Rio Capibaribe e a Bacia do Pina), incentivando a valorização da paisagem e do patrimônio histórico local.

Táticas projetuais

Para a concepção de projetos para o Parque Capibaribe, tendo como horizonte articular as margens do rio com a cidade do Recife, foram estabelecidas quatro premissas projetuais básicas:

Percorrer: O percorrer promove um passeio ecológico, educativo e de lazer para o cidadão que se propõe a estar próximo às margens. Esta premissa está relacionada com a reconquista das margens do Rio Capibaribe. Para isto, foi proposto ao longo das suas bordas um grande Parque com passeio e ciclovia capaz de conectar o Rio à Cidade por meio do modal a pé e de bicicleta.

Chegar: O Chegar proporciona conforto e segurança no deslocamento das pessoas até o Parque, por meio das vias de infiltrações. A criação de um Parque Linear ao longo de todo Rio Capibaribe e a presença de travessias em trechos estratégicos não seria suficiente para integrar o Rio no tecido urbano e no cotidiano dos moradores.

Atravessar: O Atravessar diminui às distâncias entre pontos em localizações opostas na cidade, melhorando a interconexão entre a malha viária urbana. Pode ser feito por meio de pontes, travessias de barcos, ou qualquer outra forma que permita as pessoas atravessarem com segurança de uma margem à outra. Conectar as margens direita e esquerda em locais estratégicos do Rio Capibaribe terá um efeito não somente local, mas também na estrutura global da cidade, pois o Rio Capibaribe, assim como outros corpos d ́água, funciona como uma barreira no território urbano. Além disso, em mais da metade do seu curso na Cidade são poucas as conexão entre as margens. Logo, as travessias passarão a diminuir distâncias dentro de Recife.

Abraçar: O Abraçar promove espaços capazes de permanência proporcionando atividades de lazer, de encontros e convivência dos cidadãos. A criação de espaços de permanência e de contemplação da paisagem, reaproximando os cidadãos do Rio Capibaribe, passou a integrar o conjunto de desafios. Além disso, a contínua presença de vegetação nas duas bordas, que funciona como uma barreira visual, incentivou a criação de janelas e passarelas inteligentes, capazes de permitir de forma sustentável o contato do cidadão com o Rio, garantindo a co-presença com a vida animal no local.

Projetos iniciados

Jardim do Baobá - A pedra fundamental

Uma árvore centenária da espécie Baobá é o principal atrativo do marco inicial do Parque Capibaribe, localizado no bairro das Graças, Zona Norte do Recife. A área será um espaço de lazer e contemplação da paisagem, formada pela árvore que se debruça sobre a margem do rio. O baobá das Graças é tombado como Patrimônio do Recife desde 1988, tem 15 metros de altura, copa com dez metros de diâmetro e tronco de cinco metros de diâmetro. Este trecho será financiado por projeto de mitigação do Real Hospital Português. Para dialogar com a grandiosidade da árvore e promover a interação entre as pessoas, três balanços duplos e uma mesa comunitária foram projetados para o local. Os balanços terão seis metros de altura, cada equipamento abrigará duas pessoas simultaneamente e poderá ser utilizado tanto por crianças quanto por adultos. A mesa terá 10 metros de comprimento para uso compartilhado, podendo comportar piqueniques e jogos de tabuleiro, por exemplo. O solo natural ao redor do baobá será preservado, reduzindo a área pavimentada no local. Terraços gramados acompanharão os diferentes níveis do solo existentes e possibilitam diversos usos. Um pequeno píer flutuante completa o projeto, possibilitando a atracação de pequenas embarcações.

#DomingoNoBaobá O INCITI/UFPE promoveu no dia 10 de abril de 2016 o I Encontro Cidade-Parque, projeto de ativação comunitária colaborativo que convida pessoas, grupos, artistas, organizações não-governamentais, para vivenciar o Recife como uma Cidade-Parque. Nesta primeira edição o Jardim do Baobá foi o espaço escolhido para receber o #DomingoNoBaobá, que contou com atividades como yoga, pilates, dança, música, meditação, feira de comidas artesanais, piqueniques, contação de histórias e muito mais.

Saiba mais: [2]

Via-Parque das Graças

O Parque Capibaribe contempla uma via-parque no bairro das Graças, entre as pontes da Torre e da Capunga, ao longo de 950 metros. O Parque irá abraçar o bairro das Graças, promovendo uma nova relação das pessoas com o rio e criando condições para hábitos de vida mais saudáveis e sustentáveis. O projeto prevê passeios, ciclovia, áreas de estar, espaços para crianças, espaços de aproximação ao rio, passarelas e píeres para pequenas embarcações. As soluções urbanísticas propostas visam transformar todo o bairro, com conexões entre espaços verdes e públicos. As obras serão realizadas com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Pavimentação disponibilizados pela Caixa Econômica Federal.

O Parque se expande para além da borda do rio, com infiltrações na Rua das Pernambucanas e Rua Dom Sebastião Leme, que se tornarão ruas verdes, com a diminuição de estacionamentos para carros, aumento de calçadas com área verde, e criação de bicicletários. O projeto propõe uma experiência aprazível de mobilidade para pedestres e ciclistas em uma margem contínua a beira rio, inclusive com passagens seguras por baixo das pontes da Capunga e da Torre. Uma passarela para pedestres e bicicletas irá promover a articulação entre as margens tornando menor a distância entre os bairros das Graças e da Madalena.

Ativações

Para dar suporte ao Projeto Parque Capibaribe foram promovidas ações de convergências de conhecimentos através de: workshops, ciclo de diálogos, expedições e apresentações.

Workshops

A equipe do Parque realizou em 2014, cinco importantes workshops:

  • Desenho Sustentável no Parque Capibaribe
  • Sistemas Naturais
  • Mobiliário Urbano/ Praia do Derby
  • Oficina de Maquete
  • Mobiliário Urbano do Parque Capibaribe

Essas atividades tiveram uma média de 150 colaboradores, nacionais e internacionais, e foi composta em sua grande maioria por pesquisadores, alunos e profissionais de atuação variada.

Expedições

Para conhecer mais o território do Capibaribe em toda sua extensão e, assim, projetar de maneira sustentável e participativa, foram organizadas várias expedições a pé, de bicicleta, de barco e de ônibus com diferentes grupos da sociedade, dentre eles:

  • AMECLIO - Associação Metropolitana de Ciclistas do Grande Recife
  • Comitê da Bacia Hidrográfica do Capibaribe
  • Grupo Caminha das Domingueiras
  • Associação Por Amor às Graças
  • Secretarias Municipais

Essas expedições também contribuíram para a difusão e a discussão pública das propostas pensadas pela equipe de projeto do Parque.

Provocações Urbanas

O ciclo de diálogos teve como principais objetivos aproximar a população das discussões contemporâneas sobre inovações para cidade em vários âmbitos e trazer novos conhecimentos para o Projeto do Parque Capibaribe. No total, foram organizadas três Provocações Urbanas com os referidos temas:

  • Inovações para o Saneamento: Como o Parque Capibaribe pode contribuir para um rio mais limpo?
  • Inovações para a Mobilidade: um problema de todos nós
  • Gestão de espaços públicos: como podemos tomar conta da nossa cidade?

Os debates foram enriquecidos com a participação dos seguintes profissionais renomados:

  • Thierry Jacquet, fundador da Phytorestore, empresa francesa que desenvolve Jardins Filtrantes em todo o mundo;
  • Ricardo Barretto Vasconcelos, diretor de novos negócios da Compesa;
  • Clifford Ericson Júnior, engenheiro e professor do IFPE;
  • Marcos de Sousa, jornalista, editor e diretor do portal Mobilize Brasil;
  • Raul da Mota Silveira Neto, professor do Departamento de Economia da UFPE;
  • Evert Verhagen, fundador das empresas Creative Cities e Reuse;
  • Antonio Barbosa, presidente da Emlurb (Empresa de Manutenção e Limpeza Urbana).

As três provocações urbanas acolheram mais de 200 pessoas, e aconteceram em espaços e meses diferentes. A primeira, em setembro, no Museu Cais do Sertão; a segunda em outubro, no The Hub Recife; e a terceira sendo realizadas no auditório do Banco de Brasil, em novembro. Todos os ciclo de diálogos foram transmitidos ao vivo pela internet.

Plano Urbanístico de Resgate Ambiental - PURA

Segundo Convênio Parque Capibaribe

Projeto Graças + Baobá

Livro: Parque Capibaribe: Recife Reinventado

Ribe e os Aventureiros do Capibaribe